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sexta-feira, 3 de abril de 2020

Perseverança


Dias raros em que o coração se vê preso e livre ao mesmo tempo, mergulhado em mar de incertezas, como qualquer animal marinho, ou navegando com algum navio da marinha, buscando um porto seguro para atracar. E é preciso decidir, como diria Anthony Robbins: – ‘A verdadeira decisão é medida pelo fato de que você tomou uma atitude. Se não houver atitude, então você realmente não decidiu”. Então é preciso seguir em frente naquilo que se quer.

Como podemos caminhar em direção ao amanhã que sonhamos, se no hoje não estamos fazendo o suficiente para que ele se torne realidade? Creio que muitas vezes acreditamos que as coisas vão dar certo se fizermos apenas o que julgamos naquele momento, como sendo o suficiente, e acreditamos que conquistaremos com o mínimo esforço, e as vezes, por pura sorte, nós conseguimos isso... Mas não podemos depender da sorte, como diz o ditado, a sorte é cega...  Não podemos esperar que caia do céu algo que é de inteira responsabilidade nossa.

Deus pode nos ajudar, nos dar força, e até nos guiar, ele quer que sejamos felizes, mas também quer que nós caminhemos com nossas próprias pernas, como todo bom pai, que ama seu filho, ele quer que nossos sonhos sejam realizados, pode tirar uma ou outra pedra do caminho, mas não todas, não por não poder nos ajudar, mas se ele tirasse todas as pedras, nós não aprenderíamos nada na caminhada, e estamos nesta vida para aprender, para evoluir, para amar e para sermos amados. Então, o que tudo isso quer dizer?

Que não adianta fazer 90% de algo que você poderia ter feito 100% acreditando aqueles 10% restantes não fariam falta, pois eles farão,  no momento seguinte você precisará fazer 110%, e você se habitua a fazer 90%, daí, você já vai precisar fazer 120%, e a diferença do que você fazia, passa a ser bem maior do que o que você poderia ter feito. É preciso batalhar em tudo na vida, durante todos esses anos, busquei o amor, e mesmo depois de encontrar, percebo que o amor exige muito mais do que carinhos, muito mais do cuidado, muito mais do que afeto, olhares e todas as coisas relacionadas. O amor precisa ser regado em todos os seus níveis, é preciso pensar não só no passado, tampouco no presente, é preciso dar segurança, confiança de que no amanhã, os sonhos possam ser realizados.

Então, se existe um sonho, não se pode esperar que ele se realize sem que você faça o suficiente, é preciso lutar, batalhar, parar de falar e fazer, ter atitude, mudar de hábito, deixar toda e qualquer acomodação, não se vive só de brisa, sombra, e água fresca, mas para sentir a brisa a sombra e a água fresca, é preciso aguentar o calor, o sol quente e a boca seca. Se você quer ser feliz, se quer amar de verdade, e ser amado de verdade, lute, mas não lute só para conquistar este amor, lute para conquistar a sua vida.

O Preço do Amar

Sei que o momento não é fácil
E que não podemos nos ver
Isto não vai impedir o que faço
O expressar do meu amor por você.

Sei que o futuro é incerto,
Mas o coração nunca foi lá muito esperto,
Sei que não poderia tirar isso do meu peito,
Tinha que te enviar algo de qualquer jeito,

Que pudesse expressar o meu amor
Que te desse um pouco desse calor
Que você sabe que só a gente tem
A saudade aperta, e a ansiedade vem

O amor é belo, mas cobra seu preço
Cá estou eu, me revirando ao avesso.
Para o que quer aconteça, eu vou esperar.
Mas tudo que queria hoje, era poder te amar

Mário Filgueira

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Esperança



Muitas vezes aliada a fé, a esperança tem como fama ser a ultima a morrer, aquilo no qual nos agarramos até o fim, no desejo de dias melhores ou da permanência de dias bons. Para ter esperança é preciso mais do que crer, é preciso também saber os limites dos seus planos, a grandiosidade de seus sonhos, para saber o que é possível fazer a respeito disso – e é aí – nesse momento que entra a força de vontade, sem ela a esperança seria fraca, quase inexistente, a força de vontade é a capacidade que nós temos de superar as maiores dificuldades de nossas vidas mesmo quando ninguém mais acredita na gente, mas você acredita!

Acreditar que é possível, mesmo estando sozinho pode não dar em nada no final, mas quando se acredita, e consegue o que tanto almejava e surpreende não fulano ou sicrano, mas a si mesmo, é possível ver que nada é impossível, e que você é capaz de fazer coisas que você nem mesmo imaginaria que fosse capaz de fazer.

       Uma vez, escrevi sobre paciência e mostrei a um amigo meu, poeta, músico e compositor potiguar Mirabô Dantas, e quando ele terminou de ler ele me disse as seguintes palavras: “ – Mario, A paciência é como a espera. No I Ching a espera está definida assim: Observe as coisas sem ilusões e ansiedade. Não se desespere, apenas espere com serenidade. O perigo se encontra na precipitação e no medo. Aguarde uma época oportuna. Calma.” Isto, me faz lembrar que a esperança não pode caminhar no desespero, ela precisa ter calma, pisar em chão firme e caminhar a passos lentos ao invés de correr.

        Dizer que a esperança é a ultima que morre, é a mais pura verdade, porém, se você tiver pressa no que almeja não acreditar que seja possível, não ter força de vontade, nem fé, nem paciência, você pode ainda assim conseguir o que quer, mas será muito mais difícil. Portanto, é preciso acreditar em si mesmo, e se tiver fé em Deus, (como eu tenho) não colocar tudo nas mãos dele, O que sonhamos será realizado no momento que for devido, e a tentativa nunca é inútil, pois nela, aprendemos mais do que quando conquistamos, e conquistar o que se quer é uma das melhores coisas que um ser humano pode sentir na vida.


   
Sons do Silêncio

O medo tenta te devorar com unhas e dentes
Grita com todas as forças pra você desistir
Diz que nada importa realmente
Que acabou e é preciso admitir

Mas este medo mente
É quando você começa a sorrir
Sem saber ainda do que exatamente
É quando se sente o que se quer sentir

É quando é possível ouvir sua mente
Dizendo o que se quer ouvir
Quebrando suas correntes
Que não te deixavam sair

Um toque terno e evolvente
Um desejo de nunca partir
Um som claro e comovente
Chamando para onde se deve ir

Mário Filgueira


terça-feira, 15 de abril de 2014

The Book Is On The Table

        No interior de cada ser humano há uma história sendo escrita, e os capítulos dessa história possuem os mais variados temas, desfechos e reviravoltas, muitas vezes encontram-se trechos nos quais não gostaríamos de saber, mas que são de suma importância para compreensão de muitos desfechos, para se compreender causas, ações e consequências, muitas vezes é difícil aceitar que as coisas simplesmente acontecem, é difícil desapegar de velhos fantasmas, que já estão mortos, mas insistem em nos amedrontar, ter medo de passar uma página ruim ao pensar que a próxima será similar a anterior não é medo, é covardia, assim como passar depressa demais uma página nova pelo mesmo motivo, não é sapiência, é estupidez.

       A grande verdade é que por mais que se diga que é assim ou assado, cada um tem sua maneira de pensar, e realmente não é preciso dizer como cada um deve viver sua vida, contudo, é possível alertar a sábia frase de Winston Churchill  “-Se você continuar fazendo o que sempre fez, continuará obtendo o que sempre obteve” como também, a de Peter Ellyard  “- Se você não viver no futuro hoje, viverá no passado amanhã” por essa razão não se deve lutar por um final feliz, mas por um durante duradouro e desfrutável. 


Queísmo Filosófico
O que tiver de ser
O que o destino desenhar
O que Deus quiser
O que a vida mostrar
O que um sorriso disser
O que ver em um olhar
O que se pode entender
O que o acaso criar
O que se sonha em ter
O que se quer abraçar
O que não se quer perder
O que se vale a pena lutar
O que é difícil compreender
O que o amor fará
O que é possível saber?
É o que só o tempo dirá
Mário Filgueira

domingo, 24 de março de 2013

Paciência

   Nós seres humanos, temos uma sede por aquilo que sonhamos tão forte, que em cada vez que tentamos controlar nossas emoções, nossos impulsos, acabamos por transformar uma tarefa simples, em uma batalha feroz. Amarrar um sentimento, uma vontade, é tão difícil quanto saber o momento certo de liberta-lo, de dar-lhe, asas.  

    Paciência, como é difícil domina-la, talvez por ela caminhar junto com o tempo, nós tenhamos dificuldade em controla-la, conquista-la. Ser paciente te mantém distante do medo de deixar tudo cair por terra.

Algum tempo passou, não muito, mas para você pareceu muito maior do que realmente foi. Impaciente, você dá um passo que não deveria ter sido seu e em um primeiro instante, você se vê entregue a palavras tão doces, palavras escritas para você, e como uma droga, você nem se lembra do que acabara de fazer. E como poderia lembrar? Afinal, tudo parece tão perfeito, na maioria das vezes isso foi sua ruína. Por que então acreditar que dessa vez será diferente?

Creio que, por mais que volta e meia se tenha esses momentos de impaciência, (ah, maldita impaciência) quando se ouve o que se quer ouvir, quando se diz o que se quer dizer, você se sente dentro de algo, que você ainda não está! Sem saber, que é por que a paciência está começando a colher seus primeiros frutos, ainda pouco amadurecidos, mas suficientemente doces para saborear, mas é preciso manter a calma, ter foco, e se manter paciente. Por mais que seja difícil, por mais que isto seja complexo, momentos como esses devem ser a exceção e jamais a regra.

 Todos nós precisamos de paciência em nossas vidas, ela nos ajuda a dar passos nas direções certas, a dar tempo ao tempo, lembrar que nós plantamos a semente sabendo que ela demorará a nos dar algo em troca, você precisa cuidar dela, se você colocar água demais ela não fincará raízes, se você não colocar, ela morrerá, por essa razão é preciso caminhar com pequenos passos, devagar, correr atrás daquilo que queremos pode nos fazer cair, e caminhando o máximo que podemos fazer é tropeçar, tropeçando ainda podemos continuar andando, sem a dor da queda, sem culpa, sem arrependimentos. 


Mares Calmos

As ondas estão tão calmas
Em um mar de incertezas
Se sente paz dentro da alma
Sem magoas ou tristezas


É possível ver terra a vista
Mas não há razão para pressa
Por mais que a vontade insista
Que não haja algo que impeça

A brisa é doce, o sol é terno
O vento canta para meus ouvidos
Este som hoje, é meu abrigo

Por mais que se queira chegar ao destino
Por mais que esperar seja um castigo
É preciso aproveitar o caminho.

Mário Filgueira






quinta-feira, 28 de abril de 2011

Em Algum Lugar



Há dias que fitamos nossos olhares para além da linha do horizonte em busca do que muitas pessoas podem chamar de destino, alguns crêem que cada um de nós temos um destino, outros, que nós escrevemos nosso próprio destino, e residem nele tudo o que está reservado para nós, e dentre estas coisas, talvez, quem sabe, alguém para compartilhar o que está predestinado, alguém para escrever o destino. Dia desses, conversando com um grande amigo meu, que possui nome de anjo, apelido camarada e como eu, um fantasma, embora pareça trágico o comentário, ele está rindo ao ler isso. Voltemos ao raciocínio, disse ele sabiamente, que nós precisamos viver, e que embora estejamos arrodeados de pessoas que nos amam, embora nós as amemos com toda a força de nossos corações, elas não nos completam, pois precisamos “dela”. Embora muitas pessoas achem isso um absurdo, que nós não temos paciência, que o dia vai chegar, na verdade, não sabe que pessoas como eu e ele não estamos pensando só em nós mesmos, não estamos pensando EXCLUSIVAMENTE na nossa felicidade, não está entendendo ainda não é mesmo? Bem, é simples, estamos pensando nela, pois acreditamos piamente na existência dela, e, pensando nela nós a queremos feliz, queremos FAZER ELA FELIZ O QUANTO ANTES! Queremos VIVER ao lado dela o quanto antes, e por mais que digam a sua hora chegará, você tem tempo, a vida é longa, NÃO!!! NÃO!! A vida é curta demais para quem a vive intensamente, e se você não acredita nisso você não dá valor a sua própria. E hoje me pergunto onde você está minha querida, o que anda fazendo, e principalmente, se você está pensando em mim agora, assim como eu estou escrevendo sobre você.

Epílogo Completo!

Eu escreveria mais versos
Se os versos te fizessem voltar
De uma vida noutro universo
Que insiste em nos separar


É duro pensar no que dizer
Se no dia que te encontrar
Eu terei tanto para fazer
Tantos lugares para visitar


Onde o silêncio irá reinar
Onde o ar terá o teu perfume
E nem mesmo as flores podem mudar

Onde nada me confunde
Pois saberei onde tu estás
Estarei forte, feliz, imune


Mário Filgueira




quinta-feira, 17 de março de 2011

A Vida, Criatura Estranha



A vida, como algo tão belo pode ser tão complexo? Eu tento a todo custo descrever a minha própria, e tem sido inútil até então. A razão do por que as coisas não dão certo, e principalmente, da razão do por que continuar vivendo? Curiosamente são questões que me mantém vivo... Se todo suicida se perguntasse isso antes de tentar se matar teria uma razão pra continuar vivendo. Pois na duvida do que virá neste maldito ou bendito futuro incerto encontramos uma razão para continuar vivendo. Ainda assim, existem coisas que me incomodam tanto que eu tinha que escrever sobre... Se a vida é cheia de escolhas por que diabos não aparecem? Quando você se sente cego na escuridão, quando se está caindo no penhasco com os braços amarrados, quando se sabe onde está o ouro, mas não possui as ferramentas para pega-lo! Só que ai vem as pessoas importantes para sua vida, aquelas que realmente te apóiam naquilo que for, sendo algo justo, honesto, elas estão lá te apoiando, dando força, por elas, continua-se a se carregar uma cruz. Só que há também aquelas que só querem controlar sua vida, contar seus passos, destruir seus sonhos, conter suas vontades, impor regras, com a desculpa de pensar no seu melhor, acabam por te afundar mais e mais, sem saber que a proibição só torna tudo mais difícil. Hoje, eu sei exatamente o que eu quero, e embora tendo muitas barreiras na minha frente, embora tendo tantos motivos para não acreditar, eu vou continuar tentando, pois eu ainda estou vivo... Não sei até quando posso agüentar, mas até lá, ainda virão muitas batalhas pela frente.



Maluco no Espelho


Quem sou eu?
Sou o que eu sou!
E o que você é?
Ué!? Eu sou você!


E o que você faz?
O que você fará
E o que eu farei?
O que eu faço

Isso é loucura ou uma alucinação?
Que loucura, é só sua imaginação
Será que eu estou louco?
Talvez sim, talvez não

Não, eu não sou você
É sim, não discuta
Por que eu discutiria com você
Você não sou eu? Vamos reluta!

Você deve ser como eu
É mesmo, acredita que vou ser?
Eu tenho poder sobre você
Até ontem você até poderia ter....

Mas hoje?
Não...
Hoje não!

Mário Filgueira


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Tempo

Passo a passo, sonho a sonho, cada momento da vida de alguém parece tão raro, mesmo quem não caminha, observa. Mesmo quem não observa, caminha. Quem não caminha, e não observa, sofre, e sofrendo, sente, e sentindo você se sente vivo. É difícil pra qualquer um se fechar para a vida, à tentativa do não sofrer é completamente inútil, por isso buscamos a felicidade, pois estando nela o sofrer fica distante. Fazemos loucuras, amamos alguém, odiamos alguém, sentimos alegria, tristeza, mas nunca deixamos de sentir a vida. Mesmo quando alguém morre, a dor não acaba, ela apenas muda de lugar, passa para quem gostava deste alguém, e para quem crer que a morte não é o fim, quem sabe até a dor aumente ao ver o sofrimento de quem queria bem a esse alguém. A conclusão das escolhas que fazemos define nosso destino, sim, é verdade, só que às vezes, as escolhas são tomadas nos momentos errados e nós sofremos pela perda de uma outra coisa, que está com cada ser vivo desde momento em que começa a respirar. O tempo.


O Tempo


Vendo a vida passar
Tentando decifrar segredos
Se culpando pelos erros
Sonhando com aquele olhar

Que qualquer voz pode silenciar
Que diz mais que qualquer palavra
Faz com que uma porta se abra
E mesmo tentando não é possível entrar

Olhando você sente empatia
Mas o tempo errou a medida
Nada do que seria um dia
É mais uma escolha perdida

Desejando mais do que poderia
Continuar nesta ilusão querida
E que apenas torturaria
Aquele que ainda respira vida

Mário Filgueira

sábado, 8 de novembro de 2008

A Razão?

Onde estão aquelas transformações de sentimentos, os sentidos a flor da pele, pelo qual o poeta tanto preza pra compor? Vendo ao longe a 8ª página, além do que meus olhos podem enxergar, não posso escrever, não posso ter, pois isto está além do meu alcance. Mesmo que digam, que sou louco que eu vejo coisa onde não há, eu procuro pensar mais no por que me sinto vazio, e por que sinto que aquele amanhã nunca vai chegar. Estou perdendo as esperanças, acho que é melhor parar de pensar e deixar esse vazio me dominar, ao menos ele me faz esquecer a dor do passado, eu não consigo entender o porquê das coisas, e estou começando a ficar cansado de procurar as respostas. Que o tempo me ajude, pois eu não estou conseguindo mais me ajudar.


Surdo Inconsciente

Por mais que tente
Não vejo a explicação
Mesmo que invente
Estaria na escuridão

É algo que não sai da mente
Mesmo com essa intenção
O sangue corre fervente
Até o tolo coração

Coração que não entende
O que diz a razão
Pois é surdo inconsciente
Vê, mas não estende a mão

Mas um dia se aprende
Querendo ou não
Assim sigo em frente
E
não cairei no chão

Mário Filgueira

sábado, 1 de novembro de 2008

Palavras

Pensamentos povoam a mente de uma forma um tanto diferente, curioso como às coisas surgem de uma hora outra, e você se pergunta, como vim parar aqui? Não, na verdade nem é a busca da resposta que me move a escrever hoje, mas sim, o sentimento de continuidade que me cerca como foi bom reencontrar aquilo que estava adormecido, e reencontrei hoje meu amor próprio, muito graças a algo que não convém revelar, como é bom um dia após o outro, e sentir mais uma vez, que você é capaz de bem mais coisas, que pode acordar que pode mover o lápis, que pode forçar a língua a falar palavras que nem precisam ser bonitas, apenas que agradem de ambas as partes, palavras do coração são lindas, atingem a alma, mas se faltarem certas palavras a vida não flui divertidamente, pois quando se sente muito o coração você acaba por sofrer pela falta, é preciso mais que isso, a carpe diem, hacuna matata, palavras que podem definir o meu estado de espírito.


A Palavra

A palavra que fala
A palavra que fere
A palavra cala
A palavra que impede

A palavra que deseja ouvir
A palavra que arrepia a pele
A palavra que se faz sentir
A palavra que me pede

A palavra que te faz suspirar
A palavra que te faz sorrir
A palavra que vai te calar
E a mesma que vai te engolir

A palavra que vai esperar
Todo dia ao dormir
A palavra que vou falar
É aquilo que você quer ouvir

Mário Filgueira

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O Inamável


Volto às páginas, e leio novamente para entender os motivos que me levaram a escutar mais uma vez o terceiro imperdoável, relembrando cada momento, pensando se poderia parar o tempo e observar o quanto nem sempre para se ferir é preciso dizer palavras duras, hoje posso dizer que as palavras que mais doeram, foram as mais belas, pois escondida nelas havia a falsa esperança de um dia ser amado por outra pessoa, cada dia que passa e cada página que sangra, me pergunto se eu seria ou não um ser inamável? Elas nunca souberam, nem nunca saberão que embora tenha vidas diferentes, idades diferentes, pensamentos diferentes, são as mesmas palavras que acabam a me torturar, às vezes penso se não seria melhor alguma delas dizer a verdade, falar que eu não sou um ser que elas possam amar, nem que nenhuma garota possa. Um leitor superficial pode pensar na beleza, ou algo do gênero, não, não se trata disso, quando era mais jovem, pensava isso também, hoje sei que é algo bem mais profundo que isso, pois algumas das páginas acabaram por serem escritas por palavras bem mais rústicas do que as minhas. Entretanto, eu acabo sempre por achar que qualquer um pode ser melhor que eu para alguém, acredito que já tenha sido possível entender o que estou querendo dizer, e você talvez queira saber se eu vou continuar. Sim, eu vou, pois ainda não acredito que posso cair na teia de alguma página que queira ser escrita, nem que seja por que não achou um melhor para escrever, se vou ser amado, duvido, mas ao menos, vou ter um passa tempo, já que amo escrever. Antes do fim, a sétima página ainda não foi passada, eu agora, apenas não sei o que escrever nela, sinceramente.


A Espera

Ele olha para janela
Enquanto vê o sol brilhar
E continua na espera
De um dia se libertar

É jogo sem culpados
É jogo sem vencedor
Ele nunca esteve errado
Mas já é o perdedor

As folhas caem
E o vento leva
As palavras saem
Mas não sai da cela

A espera está o coração
Da certeza do inevitável
Do pedir de um perdão
Do ser que é inamável

Mário Filgueira

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

O Imperdoável


Então me perco entre as páginas seis e sete, enquanto ouço o terceiro imperdoável, sentindo uma neblina fria e ao mesmo tempo quente, pairando no ar, esperando que eu a atravesse, enquanto presencio mais uma página de minha vida sendo passada, muitos pensamentos errados são mencionados na tentativa de me ferir, é duro saber que a mesma boca que sorri, e a mesma que se cala, é a mesma que você jamais poderia imaginar dizer coisas pelas quais, você jamais pensaria que pudessem ser pronunciadas por alguém com quem tem uma sintonia tão pura, é difícil adquirir certos bens nessa vida, a confiança é o bem mais precioso que você pode ter, mas quando você sente que não confia em você, de alguma forma, você reflete e pensa, por que confessar algo que é inconfessável. Será que não posso cometer erros? Isso seria imperdoável? Eu posso pensar assim? Nunca ter escutado “– Eu te amo” me torna um ser inamável? Depois de tudo isso, por que não sinto dor? Por que ainda sinto-me vazio? Saber dessas coisas não me fere? Será que sou incessível, ou apenas me conformei com esse destino? Não, esse não é o meu destino, não é o seu também, ainda não estou nem na metade da vida, e enquanto há vida, ainda há esperança, enquanto ainda há esperança, ainda há possibilidade de ser feliz, pois se eu não acreditasse que a busca pela felicidade não fosse o sentido da vida, eu já teria começado a escrever minha carta de despedida.
O Imperdoável

A cura não pôde encontrar
Para um coração cego
Que não poderia amar
Apenas alimentava o ego

O imperdoável se atirou
Mas nunca quis cair
A mão que o segurou
É a mesma que viu partir

E sem olhar pra trás
Ele continua a caminhar
Em busca de sua paz

Sabe que é preciso acreditar
Corre atrás do ilusório sonho
Algo que ainda não pode encontrar

Mário Filgueira